• Quem escreveu a obra de Shakespeare? (Eric Idle, com tradução minha)

    Como a graciosa tese de que Shakespeare não escreveu as próprias obras (uma dessas febres que acontecem de tempos em tempos, igual baixa do Charlie Seen ou o novo penteado da Lady Gaga) anda fazendo um certo sucessinho, resolvi cometer a audácia de traduzir um texto do Eric Idle a respeito, publicado na New Yorker dia desses. Penei em um ou outro jogo de palavras, mas o auxílio mais que luxuoso da Cynthia salvou tudo. O que sobrou de ruim ou sem graça é culpa inteiramente minha.

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    QUEM ESCREVEU A OBRA DE SHAKESPEARE?

    Eric Idle*

    Se por um lado é perfeitamente óbvio para todo mundo que foi Ben Johnson quem escreveu as peças de Shakespeare, por outro pouca gente sabe que as peças de Ben Johnson foram escritas por uma garota de Sunderland, que sumiu misteriosamente, sem deixar vestígio algum de que tenha existido, o que prova claramente que foi ela quem as escreveu. As peças de Marlowe foram na verdade escritas por uma camareira chamada Marlene, que fingia o próprio orgasmo e acabou fingindo a própria morte durante uma pancadaria em uma taverna de Deptford. A rainha Elizabeth, que era obviamente um homem, tramou para estabelecer Shakespeare como o autor de suas peças, afinal, como poderia um sujeito que tinha apenas o ensino fundamental e falava latim e um pouquinho de grego ter escrito algo tão ruim quanto “Tudo Está Bem Quando Termina Bem?” Não faz sentido. Foi provavelmente algum panaca da nobreza, que resolveu disfarçar sua identidade para que Vanessa Regrave pudesse conseguir trabalho depois de velha.

    Muita gente acha que Ricardo III não apenas era um cara legal, que jamais faria mal a uma mosca, mas que realmente escreveu “She Stoops to Conquer” (“Ela se curva para vencer”), e que o suposto autor, Oliver Goldsmith, encontrou a peça debaixo de uma árvore, em 1773, enquanto visitava Bosworth Field, hoje um prédio de garagens (uma clara tentativa de disfarçar a obviedade da artimanha). As peças de Oscar Wilde foram escritas por um cavalariço chamado Simon, embora Wilde tenha dado uma boa polida tanto numas quanto noutro. A obra de Chaucer foi escrita por um francês em férias, enquanto Simone de Beauvoir escreveu tudo de Balzac e uma boa parte de “Les Misérables”, mesmo ainda não sendo nascida na ocasião. Beau Brummell escreveu quase tudo de Jane Austen, e dois sujeitos e um gato escreveram grande parte dos livros de Charles Dickens, com exceção de “Conto de Duas Cidades”, que Napoleão escreveu quando visitava Santa Helena. Aliás, Napoleão não era Napoleão, mas um homem chamado Trevor Francis, que mais tarde apareceria jogando pelo Birmingham City.

    Thomas Jefferson escreveu a Declaração de Independência com a ajuda de um ghost writer, na verdade uma mulher de cor chamada Betty Mae, que não era trabalhadora voluntária. “Moby Dick” foi escrito não por Heman Melville, mas por Herman Melbrooks, que escreveu boa parte do livro em iídiche, na barca, vindo de Coney Island. “O Pequeno Pepys”, uma condensação em brochura publicada pela Penguin, foi na verdade escrita pelo Pepys grande, um homem chamado Doris Pepys, que não tinha parentesco nenhum, mas que trabalhou como limpador de velas em Wapping (onde morava O Mentiroso, do conto de Henry James). O próprio James escreveu toda a sua obra, porque ninguém mais conseguiria ser tão chato e, principalmente, ninguém se deu ao trabalho de reclamar a autoria.

    A mera falta de provas, claro, não é razão para elaborarmos uma teoria. A do design inteligente, por exemplo: o fato de ser uma grande bobagem não impediu um monte de gente de acreditar nela. O Darwinismo em si é confirmado apenas por uma tonelada de evidências, o que é uma clara indicação de que Darwin não escreveu seus próprios livros. É quase certo que eles foram escritos por Jack, o Estripador, que era provavelmente o rei Edward VII, já que todas as evidências relativas a isso foram destruídas.

    Paranoia? Claro que não. É erudição alternativa. Qual o problema em ensinar teorias alternativas em nossas escolas? Do que os liberais têm medo? As crianças não podem tomar suas próprias decisões sobre coisas como assassinato e porte de armas automáticas no recreio? Bush tinha razão: nenhuma criança deve ficar desarmada. Além do mais, por que essa abordagem ditatorial de ensino? O que dá aos professores o direito de dizer o que as coisas são? Quem pode afirmar que os adeptos da teoria da Terra plana estão errados? Ou que a Igreja não tinha razão ao silenciar Galileu, com sua teoria absurda (na verdade escrita por seu proctologista) de que a Terra se move em torno do Sol? Apelar para “provas” é tão esnobe e elitista… Acho que a gente já sabe o que advogados conseguem fazer com provas. Vejam o Shakespeare, coitado. Escreveu trinta e sete peças, e nenhuma era dele.

    (* Na verdade, mais provavelmente escrito por Michael Palin)

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    7 respostas a Quem escreveu a obra de Shakespeare? (Eric Idle, com tradução minha)

    1. Ulisses Adirt disse:

      Puxa, Nelson… eu não esperava isso de você. Pq diabos vc plagiou o meu texto e ainda afirmou que o traduziu?

    2. Elyza disse:

      I found just what I was neeedd, and it was entertaining!

    3. Eduardo disse:

      Ahahahaha. Mas me confundi todo. Quem é você mesmo?

    4. Moziel T.Monk disse:

      NA verdade Eric Idle não escreveu este texto, e sim o próprio Nelson, sob pseudônimo, e a tradução ficou a cargo daquela moça do Google que costuma passar trote em programas de TV ao vivo nas horas vagas

    5. Paulo Guimarães disse:

      Sei que esse comentário não é meu. Mesmo assim eu digo: muito bom!

    6. Pingback: Delícia de texto | Blog Pra falar de coisas

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